sábado, 31 de outubro de 2020

DEPOIMENTO DE UMA BRUXA PODEROSA - CLEUSA PIOVESAN

Hoje uma publicação da escritora Cleusa Piovesan membro do Centro de Letras do Paraná. 

DEPOIMENTO DE UMA BRUXA PODEROSA

Está chegando meu dia? Sim! 
Vou comemorar com alegria
Sou "uma deusa, uma louca",
Mas acima de tudo "uma Feiticeira"
Por ter me enredado em encantamentos 
E sobrevivido a tanta forma de opressão
Castradora de minha liberdade
Por isso hoje vivo na contramão

Sou uma Bruxa poderosa
Tendo nascido mulher numa sociedade que me transformou em objeto
O móvel da casa usado quando se quer
Um feitiço me fez sobreviver
À uma tentativa de estupro aos 12 anos
E à negação de esclarecimentos
Que me fez muito cedo amadurecer

Só uma Bruxa é mãe aos 17 anos
Quando ainda está vivendo
O fim de uma infância permeada de proibições
Sem nenhuma informação relevante
A menina-mulher torna-se a "rainha do lar"
A mãe, a esposa, a serviçal e a amante

Convencida de que seu lugar é o lar
Muitas mulheres abdicaram seus melhores anos
E se enterraram no feliz casamento "hetero-cristão"
Entre roupa suja, chão lustro e panelas
Choro, fraldas, mamadeiras
A mesa sempre bem servida
E um baú bem grande para acomodar
Os sonhos desfeitos de toda uma vida

Sim, sou uma Bruxa poderosa
Amarguei noites e dias
A valorizar quem me ofertou só traições
Enfeitiçada por uma ilusão chamada "amor"
Enredada em um relacionamento abusivo
Até que chegou o dia fatal
Da violência psicológica diária
À violência física que selou o final

Ah, como é difícil entender que o amor
Não limita, não oprime, não maltrata
Não determina um corte de cabelo
Rímel e batom não fazem da mulher uma puta
Um shorts curto não é isca para abuso
Amor não é usado para manipulação
Mas alimenta uma dependência com o sofrer
Usado muito bem por um "macho de plantão"

Reconheço: sou mesmo uma Bruxa
Empoderada pela magia que a vida me dá
Que não me fez perder a alegria
Que não me jogou num estado de depressão
Ao sair de um casamento sem emprego
E com três filhos como herança
Após 20 anos de total dedicação
O que me tornou adepta do "desapego"

Desapeguei-me de todo tipo de reacionamento
Que não me oferta condições de igualdade
Aprendi a manipular meus sentimentos
A não sofrer por antecipação
A ter autonomia e decidir por mim
Um buquê de flores não me conquista, não
Tenho a "poção mágica" que me embriaga
De liberdade, bom humor e muito tesão

Tenho apenas um desejo ferrenho
E meus poderes de Bruxa podem lançá-lo ao ar
Para que mais mulheres se empoderem
Sejam autônomas, independentes
E nunca se deixem dominar
Nesta sociedade com ranço patriarcal
Não é muito fácil ser uma Bruxa poderosa
Mas amor e autoestima vencem qualquer mal

Cleusa Piovesan

sábado, 17 de outubro de 2020

DE UM FILHO PARA UM PAI


 

Era uma vez um homem muito rude que perdeu a mãe aos quatro anos de idade e um tempo depois foi criado pela madrasta.

Esse mesmo homem, um gigante para trabalhar e que tinha um desejo enorme de vencer na vida, também era muito vaidoso, alinhado e era engraçado, tinha umas tiradas fabulosas, fazia rir, inclusive, em momentos de brabeza e das queixas, fazia piada das próprias  agruras da vida.  

O tal homem rude perdeu o emprego no dia que seu filho nasceu e imaginem o impacto disso nele, na esposa e indiretamente no seu primogênito.

O homem rude, trabalhador e piadista, foi motorista de caminhão, motorista de táxi,  dono de bar, sorveteria, roceiro, morou em dezenas de casas alugadas, depois construiu uma linda e vendeu. Construiu outra linda e vendeu e finalmente construiu outra linda e viveu até o final de seus dias nela.

Certa época sonhou em ir embora para a Rondônia. Lá seria o paraíso, o governo dava 40 alqueires de terra para quem fosse para lá. Falou, falou,  mas não teve coragem de deixar o torrão roncadorense.

Era uma vez, o agora menino, que em certos momentos tremia de medo do pai rude, nunca apanhou dele, mas as palavras duras penetraram fundo, fizeram alguns estragos e as orelhas do pobrezinho como as de tantos outros daquela época, foram puxadas várias vezes, literalmente. Quem conheceu o tamanho da mão do puxador pode ter uma idéia, mas grande parte das vezes das puxadas,  eram merecidas. Era a psicologia da época, “psicocinta” ou “psicorelha”.  

Esse mesmo menino admirava o pai, adorava ouvir ele contar sobre o trabalho, sobre certas demandas, alguns desentendimentos ocorridos em algum local. Esse pai adorava argumentar, se tivesse tido chance poderia ter sido um advogado. O menino bem pequeno adorava colocar o ouvido nas costas do pai que tinha a voz potente, somente para sentir o vibrar quando ele falava. Coisas de criança, difícil de entender.

O menino quase enloquecia, nas raras vezes quando era convidado para ir junto no caminhão, buscar carga de milho nos sítios da redondeza. O pai trabalhador se preocupava com a segurança do menino e dificilmente o levava junto.

O menino era absurdamente tímido e se transformava num tomate  de vermelho,cada vez que a professora lhe dirigia a palavra ou algum fato acontecia em outros locais, relacionados a ele, tanto repreensões quanto elogios, o resultado era o mesmo.

O pai com pouco estudo,  mas  muito bom de conta, sabia magistralmente fazer a prova dos noves fora, pouca gente sabe hoje em dia, o filho sabe que é possível saber com certeza se a conta está certa aplicando a dita cuja prova.

Esse mesmo pai cobrava, por vezes com crueldade que o filho estudasse, fosse o melhor da sala. Não bastava tirar nota boa, tinha que ser o “mior”. Não bastava jogar bola, tinha que usar a “camisa  10”. Não bastava ter a coragem de ir vender sorvete, tinha que ganhar bastante na comissão. Era o jeitão dele de fazer seu filho crescer, poderia até estar errado, mas a intenção era a melhor possível.

O filho absurdamente tímido se atracou nos estudos, uma das poucas coisas que sabia fazer direito. Acredita-se pelas boas línguas que nesse aspecto valeu a pena. E o pai contribuiu nisso.

O filho que morava em Roncador-Pr adorava quando em certas ocasiões, acordava para ir à Campo Mourão-Pr com o pai, mãe e irmã, fazer compras. Comprar iogurte e arroz caramelizado no então Supermercado Iguaçú (que depois virou Daimaru), era o máximo para o menino. E as camisetas novas então? Adquiridas a duras penas (hoje se sabe) era algo fantástico. O filho lembra de duas em duas ocasiões diferentes, uma camiseta azul com um Mickey em relevo, parece que de borracha pregado na frente e outra cor laranja, também com um relevo que não se recorda de qual personagem. Pensem num polaquinho metido e orgulhoso com aquelas camisetas.

O filho NUNCA passou fome, mas as coisas eram difíceis. Pão com mortadela no recreio era somente para os “riquinhos” da cidade. Tal filho, comia pão com margarina, mas nunca faltou. O filho uma vez entrou para a tal “cruz vermelha” no colégio Nossa Senhora das Graças, era para fiscalizar outros alunos e cuidar para não corressem e não se machucassem. Imaginem a dureza da missão e tal projeto não resistiu  um mês, mas a mãe do menino teve que costurar uma roupa toda branca e fazer um quepe com a cruz vermelha. E o pai, certamente com o dinheiro curto, teve que rodar Campo Mourão inteira para encontrar um sapato branco para uma criança de 8 anos. Que coisa louca.

O filho até os 12 anos adorava sair com o pai aos domingos e ir assistir futebol no Estádio municipal ainda de terra na época. O filho lembra de tantas partidas, lembra do tio Helio Smak, grande zagueiro fazendo um gol de empate contra o time de Nova Cantu. Lembra de  tantos gols do querido e talentoso João Calino, parente do  Padre Gaspar de Campo Mourão.

De repente, o menino começa a ter vergonha do pai e de querer sair junto mais. O menino por força do pai, depois de ter trabalhado vendendo alumínio que encontrava nas ruas, para o seu Belarmino e vendido sorvete um ano, entrou aos 13 anos numa farmácia como balconista, depois estagiário do Banco do Brasil, Coamo e então Fecilcam.

Dali  para frente conflitos começaram a aparecer , o pai rude, bruto e turrão e o filho teimoso como uma mula, só poderia dar errado. Muitos xingamentos e até interrupção de diálogo por um tempo. O filho se pudesse apagaria de vez essa triste passagem, mas não é possível, faz parte do pacote.

O filho e o pai rude nunca se abraçaram, nunca se beijaram, era o jeito da criação da época.

Aos 30 anos o filho ganhou um filho e consequentemente o pai agora, aos 57 anos ganhou o primeiro o neto, que por circunstâncias da vida acabou morando com ele até os 10 anos de idade. Portanto, nesse caso, naturalmente esse neto era um “filho com açúcar”. Até parar de fumar o “velho” parou por causa do “fio”. Dizem as más ou boas línguas, mas não contem para ninguém, o pai rude que nunca abraçou o filho, rolava na grama com o netinho.

Depois desse neto tudo mudou na relação entre aquele o pai rude e o filho teimoso. O filho entendeu a dureza e a maravilha de se ter também um filho. O pai provavelmente tentou corrigir coisas que entendeu que foram erradas no passado.

Alguém já disse, só se aprende a ser filho quando se é pai e só se aprende a ser pai quando se é avô. Não é totalmente correto, mas tem um pouco de verdade.

Depois de umas terapias, depois de ver a convivência entre o seu filho e seu pai (neto e avô). Depois de até ter proporcionado alguns momentos de orgulho para o velho, a admiração do filho teimoso para com o pai rude só aumentou.

Nos últimos 5 anos, por exemplo, ele inventou de promover em Campo Mourão, na véspera do dia dos pais, um almoço na churrascaria somente entre os três Maybuk. Julio, Sérgio Luiz e o Giordano Bruno. Lembranças maravilhosas, almoço delicioso, a cerveja gelada, altos papos e as fotografias para colocar no Facebook para todos e todas verem aquele trio feliz.

O último foi em 2019. Em 2020 a pandemia não deixou. Mas os contatos e os altos papos por telefone entre o filho teimoso e o pai rude só aumentavam. “Se cuide aí velho, cuidado com o corona” ele dizia, porque tinha certeza absoluta, que pela vitalidade do pai, embora com 79 anos, em pleno mês de setembro, que se ele passasse pela pandemia chegaria tranquilamente aos 90 anos.

Mas aí numa quinta feira de outubro,o filho recebe o telefonema da irmã mais velha, pedindo para ir à Central Hospitalar receber o pai que vinha de ambulância com os rins quase parados. Aí veio a lembrança de que o velho quase não tomava água.

De quinta à domingo, foram momentos emocionantes de uma relação bem restabelecida  entre o filho e pai. Se antes não aconteceram os abraços, naqueles quatro dias que não acabavam mais, as formas de total carinho e atenção foram muitas.

O filho (a filha fez a mesma coisa no plantão dela), conversou, chamou a enfermeira quinhentas vezes, deu banho, sentiu o contato do rosto do pai, o toque nos poucos cabelos cheios de sabonete, enxugou, deu comida na boca, riu das piadas nas horas que não havia dor. Retirou os restinhos de pão de cima da camisa, o pai ficava incomodado. Pense num homem vaidoso e preocupado com esses detalhes. Por fim, ainda assistiram juntos,  um jogo de futebol naquele domingo à tarde.

Na segunda-feira de manhã ele foi para UTI. Tranquilo, vai melhorar, irá talvez se necessário, fazer hemodiálise.

Na quarta-feira o filho se encontra com o pai na UTI. Dos 10 minutos de direito, quase a metade para acordar o velho. Pense num sono pesado. Acordou, reconheceu o filho apesar de 48 horas sem nenhum parente por perto (coisas da pandemia), conversou, riu, disse que queria ir embora e o filho disse que ainda iria demorar um pouco, mas que estavam cuidado bem dele. Quando a enfermeira “policial”, avisa do fim da visita, o pai saiu com uma bem a cara dele. Sorrindo disse “Oh enfermeira, fiquei sabendo que tão fazendo umas rezas prá mim morrer, mas eu não vou não”. E o filho sarrista entrou no embalo e falou “pois é pai, quebramos a cara, você não vai morrer”. O filho pegou nas mãos do pai e disse, amanhã a Rosane sua filha vem lhe ver.

O filho foi para casa, crente que, embora segundo o médico o estado era grave,  que o pai sairia logo da UTI.

Na sexta-feira,  na visita da outra filha (a que faltava ver) já não estava bem. No sábado, 5h40, em Campo Mourão, a mesma cidade dos iogurtes e arroz caramelizados, ele se despediu do plano terreno e está de olho nos filhos e netos  de lá.

As homenagens a ele, e a infinidade de carinho tão reconfortantes de parentes, amigos e amigas, colegas e até de desconhecidos ao filho, filha, netos e a mãe  foram e estão sendo fundamentais.

Na quarta-feira, o filho teimoso estava passando camisas e camisetas, como gosta de fazer. Umas mais novas, outra mais surradas que ele insiste em não descartá-las e entre elas, aquela camisa pólo azul marinho. Epa, que camisa é essa? Aí surgiram duas lembranças. A primeira que a camisa era do pai que tinha vindo do hospital para lavar. A segunda, era que definitivamente ele já se foi e não estava por aqui. Depois de passar a camisa com carinho, cheirar, beijar na frente e na parte de trás, talvez imaginando que iria sentir o vibrar das costas do pai, quando de criança, deixou lágrimas caírem e guardou no guarda-roupas, como relíquia.                           

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

AGRADECIMENTOS EM TORNO DO JULIO MAYBUK

 

 FOTO MEU FILHO, MEU PAI E EU NO SEU ÚLTIMO ANIVERSÁRIO.

Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil. 


 Meu pai, seu Julio que morava em Roncador-Pr,  nos deixou no dia 10 de outubro na Central Hospitalar de Campo Mourão, bem no dia do aniversário do município.  Ele era muito devoto e rezou muitos terços dedicados  à Santa,  ao lado da minha mãe Inês. 


De alma triste mas leve e em paz resolvi escrever hoje.


Em  meu nome e de minha mãe. Em nome das minhas irmãs Rose Mari Maybuk , Rosane Maybuk e meu filho Giordano Bruno.


Agradecer inicialmente à equipe do Hospital Municipal de Roncador que fez as primeiras tentativas de recuperação.


Eu quero agradecer todo apoio e dedicação da Secretaria de Saúde de Roncador-Pr na pessoa da Secretaria Simone e toda equipe.


Eu quero agradecer todo o esforço, carinho e dedicação da equipe médica, de enfermagem e funcionários da Central Hospitalar que tiveram contato com meu pai em quase 10 dias de batalha.


Lutarei com todas as minhas forças para defender o fortalecimento do SUS. Quem não vive no Brasil não tem a menor noção do que é um sistema que atende a qualquer pessoa sem distinção. Se há algo que devemos nos orgulhar e lutar, é o SUS.


Um agradecimento especial à Roberta Barco Lopes. Ela sabe o motivo. Imensamente grato pelo que ajudou a proporcionar.


Um agradecimento especial pelas orações, pensamentos positivos e palavras de carinho e conforto durante a batalha e depois, nas homenagens ao meu pai.


Vindos:


Do meu colegiado de ciências econômicas.


Da direção do meu campus nas pessoas dos meus grandes amigos  João Marcos Avelar e Adalberto Diaz e vários/as professores/as do campus.


Da reitoria da Unespar, pró-reitores/as e de outros setores em que recebi manifestações de carinho.


De outras direções de campus e de vários/as  professores/as destes, que recebi manifestações de carinho.


De vários estudantes da Unespar de várias cidades.


De vários/as companheiras e companheiros do Partido dos Trabalhadores de Campo Mourão, região e outras partes do Estado.


De colegas da AME - Associação dos Escritores de Campo Mourão.


Dos/as colegas do grupo de Whatsapp dos formandos de 1994.


Do grupos de agentes de controle (parceiros do cargo que exerço atualmente) das Instituições de Ensino Superior Públicas do Paraná.


Dos/as tios, tias, primos e primas por parte de pai e mãe que estiveram em sintonia todos  esses dias,  que em parte compareceram ao velório e em parte não puderam participar por causa do curto espaço de tempo que tínhamos para velar e fazer o sepultamento.


De amigos e amigas que não fazem parte dos grupos que citei mas estavam em constante sintonia. Eles e elas sabem, pessoas maravilhosas que residem em  Roncador, Campo Mourão, Luiziana, Corbélia, Maringá, Guarapuava, Umuarama, Cascavel, Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu, São Paulo, Florianópolis, Pitanga.


Das mais de 500 manifestações de carinho no Facebook e Whatsapp.


Agradeço especialmente à tia Olga Maibuk pela condição de ser enfermeira aposentada e que acompanhou cada momento da evolução do tratamento, direto de Curitiba. Ela foi fundamental para me deixar a par da dura realidade que tínhamos pela frente.


Agradeço o casal Jackleline Jaqueline Orsi e Marquinho pela ajuda na retaguarda e o casal vizinho dos meus pais, Marines Cordeiro e Mário que  demonstraram muito carinho e convivem diariamente com minha família há mais de 20 anos.  


Aos amigos e companheiros e companheiras de luta que se deslocaram de Campo Mourão para Roncador por causa da amizade, Antonio Carlos Aleixo, Nivalda Sguissardi, Nair Sutil e o Matheus Gabriel e o Mario Lula Lima. 


 Agradeço à prefeita  dra Marília, ao   compadre Ilizeu Puretz (ex-prefeito), à comadre Diocelia Mendes e o afilhado Vinicius Puretz e todas e todos demais moradores  de Roncador que compareceram à despedida.


Agradeço especialmente pela ajuda e apoio no dia 10, considerando que o tempo era curto e a cabeça não funcionava,  à Rozenilda Matos e o Edmilson   que agilizaram a vinda do meu filho que reside em Maringá   e a 

Leda Mariza  que foi fantástica no momento muito difícil. Agradecimento eterno.


Agradeço a Cecília Lazarin no comando das  orações, e o diácono  Bruno Tkaczuk que  fez uma belissima celebração de "encomenda" do corpo para o outro plano.


Agradeço a coragem, sensibilidade e as palavras certas da minha irmã Rose, naquele momento de dor agradecendo todas e todos, falando de meu pai e pedindo uma salva de palmas  a ele.


E o seu Julio, sempre muito elegante e vaidoso estava lindo ali. Tinha de ser assim sua despedida da nossa convivência física.

sábado, 10 de outubro de 2020

JULIO MAYBUK NOS DEIXOU


Hoje 10 de outubro de 2020,  meu pai, Julio Maybuk, nos deixou.

Ele teve uma vida plena com honestidade, muito trabalho, amizades. Teve  km filho, duas filhas, e um casal de netos.

Teve um casamento duradouro com uma mulher simplesmente maravilhosa.

Foi caminhoneiro, comerciante, roceiro, taxista. Nunca teve medo do trabalho.

Enfrentou dificuldades mil e nunca desistiu.

Construiu uma vida com belos exemplos. Nas homenagens  que foi recebendo nas redes sociais foram aparecendo  testemunhos interessantes  que dão muito orgulho aos familiares

Descanse em paz meu pai. Te amo.

domingo, 13 de setembro de 2020

NIVALDA E EVALDO – CAMPO MOURÃO PARA TODAS E TODOS

 



Hoje, 13 de setembro de 2020, dia histórico para o município, o PT - Partido dos Trabalhadores de Campo Mourão, realizou a convenção aprovou o nome da bancária Nivalda Sguissardi na condição de candidata a prefeita. Presente na reunião, Evaldo Bertoldi do PSOL – Partido Socialismo e Liberdade, será o candidato à vice-prefeito e na convenção do seu partido no período da noite, será confirmado.

A Convenção foi conduzida pelo presidente Antoninho Castro e em parte pelo Secretário Edson Grippa.

Na ocasião, foi visível a alegria de todas e todos com a possibilidade de uma alternativa diferente para o executivo municipal. O PT está se preparando com estudos e debates há um bom tempo, para administrar  o município com o um olhar mais humanizado e incluindo  todas e todos. O PSOL veio se juntar com o mesmo propósito.

Na ocasião foram definidos e definidas as candidaturas pelo o legislativo municipal.

Allan Cardoso de Jesus, Cícero Pereira de Souza, Francisco Albino, Ironei de Oliveira, Joab Jacometti de Oliveira, João Benedito Soares, Josiane Flores Munis da Silva, Maria Claudenice Silva Castro, Sincero Pascoal Rôla, Verônica Abraham Pesco e Zulmeia Aparecida da Silva.    

Para o Blog os dois candidatos se manifestaram:   

Agradeço a vinda do Professor Evaldo na Coligação “Campo Mourão para todas e todos” e aos pré-candidatos vereadoras e vereadores. A coragem me trouxe até aqui, estou preparada e determinada para o desafio, com a participação de todas e todos, em busca de uma cidade melhor para se viver e ser feliz. Nivalda Sguissardi.

Hoje Campo Mourão está oficialmente representado, pela coligação "Campo Mourão para todas e todos". Mais que  importantes, somos necessários neste momento onde, as desigualdades, o ódio, o preconceito, o fascismo e tantas outras desumanidades estão em evidência. Precisamos reconhecer e amar mais pois, temos o Direito de ser feliz em uma cidade mais justa!Evaldo Bertoldi.

A coligação está construindo o Plano de Governo com pesquisas, Seminários já realizados, participação dos/as filiados/as dos dois partidos e hoje no evento foi apresentado uma plataforma criada pelo PT nacional, para que os munícipes também participem da construção do Governo Participativo:

https://www.programadegovernopt.com.br/campo-mourao/  

"Todas e todos podem dar suas sugestões. Participe e divulgue".

"Queremos ouvir a sociedade sobre propostas para a construção de uma Campo Mourão mais justa, igualitária, com inclusão social, bem- estar e prosperidade para todas e todos".   

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

CAMPO MOURÃO PERDE O VEREADOR EDSON BATTILANI

 


Hoje faleceu em Campo Mourão-Pr o vereador Edson Battilani. Desde que passei a residir na cidade, tive vários encontros com ele nos diversos eventos.
Somos de partidos políticos opostos mas sempre tivemos uma relação respeitosa.
Ele deu sua contribuição enquanto vereador, presidente da Câmara Municipal e Secretário Municipal de Agricultura.
Ele é vítima de número 35 aqui da cidade.
Por ser pessoa pública chama mais atenção.
Ele foi pai, esposo, irmão, amigo, relações que os demais falecidos em maior ou menor grau também tiveram.
Vidas ceifadas por uma doença terrível que é tratada com desleixo por parte da população, inclusive por lideranças políticas.
No último feriadão assistimos cenas de total irresponsabilidade.
Ano difícil e triste. Insensatez em alta.

sábado, 5 de setembro de 2020

POESIA EM PEQUENAS DOSES - ESCRITO PELA CLEUSA PIOVESAN


 

POESIA EM PEQUENAS DOSES

 

A sinfonia dos pássaros ao abrir os olhos

É a orquestra matinal que me desperta

E põe meus sentidos em alerta

 

O barulho da água no chuveiro

Lembra-me uma linda cachoeira

Estarei embaixo dela ou à beira?

 

O pão quentinho na torradeira

Tem o sabor das delícias da infância.

Por que essas pequenas coisas perdem a importância?

 

A vida borbulha na água da cafeteira

E o aroma do café me embriaga

E me energiza. Tem o que isso paga?

 

Não encontro respostas e sigo a rotina...

O trabalho, exaustivo, escravidão moderna

Realizo de boa, num cruzar de pernas.

 

E minha verve literária, onde estaciona?

A cada pit stop, pois ninguém é de ferro

É na poesia que solto meu berro!

 

E ainda há tempo para uma caminhada no parque

Apreciar a natureza, respirar, encerrar o dia.

Eis aí, minha dose diária de poesia! 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

REUNIÃO DO CODECAM - 04 DE SETEMBRO DE 2020.

 


Hoje dia 04 de setembro de 2020, o editor do Blog do Maybuk, juntamente com professor 

Adalberto Diaz de Souza, 
 representando a Unespar campus de Campo Mourão, participou da reunião extraordinária do CODECAM - Conselho de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

Na pauta o Termo de Compromisso a ser entregue aos/as candidatos/as que disputarão a prefeitura de Campo Mourão.

domingo, 16 de agosto de 2020

O SORRISO DO RENATO SORRISO


Ontem um encontro bonito no Programa Altas Horas.

Bate papo entre:

Serginho Groisman um jornalista íntegro e carismático.

Mateus Solano um ator que admite que nasceu em berço de ouro, que trabalha com seriedade e é ativista ambiental.

Renato Sorriso ,aquele gari do sorriso largo que virou celebridade no carnaval. 

Ontem o Renato   respondeu que mantém seu sorriso largo, porque faz seu trabalho com dignidade mas dasabou a chorar quando falou sobre o pai, mãe e os dez irmãos.

Ele falou das dificuldades e cravou uma frase que deveria ser refletida por todos nós. 

Disse que há um ditado em que onde come um, comem 10, é mentira. "Onde come um nove passam fome". 

Desabou quando lembrou que sua mãe tirava dinheiro da comida para pagar o aluguel.

Ainda teve que passar a vida toda provando que é uma pessoa honesta.

Ele entra no cerne  da brutal concentração de rendas e riquezas no Brasil. Um dos países mais desiguais do mundo. E ainda um país racista.

Ele disse que leva o sorriso, porque a duras penas tem uma vida um pouco melhor que a dos seus pais e não quer  a vida que levou para seus filhos.

Diante disso algumas considerações:

Um país das rachadinhas em que se compram imóveis valiosos em dinheiro vivo, para esconder a podridão dos seus atos e continuar rindo da cara de todos e todas e ainda passar por honestos usando Deus acima de todos.

Um país em o fisiologismo continua à todo  vapor no Congresso Nacional e vai piorar com o novo líder de governo.

Um país em que super faturam respiradores em plena pandemia.

Um país que temos um Ministro interino da saúde há mais de dois meses, diante da pior crise de saúde das últimas décadas.

Um país em que 100 mil pessoas morrem e outras tantas mil vão morrer e as frases que aparecem de quem também deveria ser responsável  são, "e daí", "não sou coveiro", "vamos tocar a vida e tentar se safar".

Um país nessa batida, precisa erguer uma estátua ao Renato Sorriso por manter seu sorriso largo o tempo todo.



sexta-feira, 14 de agosto de 2020

UNESPAR CAMPUS CURITIBA II ( FAP) ESTÁ DE PARABÉNS

 A Unespar que tem uma grande diversidade de cursos, uma riqueza de oportunidades. Cada campus com suas características, sua história e seus cursos contribuindo para o desenvolvimento econômico e social de suas áreas de abrangência e contribuindo com a melhoria da qualidade de vida da população.  

Um belo exemplo de diversidade vem dos campi da capital paranaense. 

Em Curitiba a Unespar possui dois campi ligados à arte, sendo as históricas EMBAB - Escola de Música e Bela Artes do Paraná (atualmente dirigida pelo professor Marco Aurélio Koentopp), que por exemplo encanta com a Orquestra Big Belas Band e a FAP - Faculdade de Artes de Paraná (atualmente dirigida pela professora Salete Machado Sirino). 

Hoje publicamos aqui, uma maravilha de notícia de que mais da metade dos filmes selecionados em mostra do Festival "Olhar de Cinema" são produções de estudantes e egressos da Unespar.

São 11 filmes.  Toda FAP (campus Curitiba II) está orgulhosa e a alegria maior é dos professores Eduardo Baggio e Juslaine Abreu-Nogueira, respectivamente coordenador do mestrado e professora de Cinema. Eles assinam a direção do documentário "A Alma do Gesto", único longa da mostra.

A matéria completa, produzida pela jornalista Aline de Oliveira Silva pode ser lida CLICANDO AQUI

O Brasil passa por um período cinza em vários sentidos. Mas o cinza dá espaço para momentos de colorido, quando trabalhos como os aqui divulgados são produzidos com os recursos materiais, com a inteligência, a sensibilidade, o coração. Afinal de contas, como já cantava em 1987, o grupo Titãs a bela composição "comida" de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto "A gente  não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte".

Salve a arte. Salve eles e elas que lutam e trabalham pela arte. 

        



sábado, 8 de agosto de 2020

MORREU O BISPO DOS POBRES

 Morreu hoje Dom Pedro Casaldaglia - o Bispo dos pobres. Veja o belo texto do jornalista Leonardo Sakamoto. CLIQUE AQUI para ler.


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

EXCELENTE ENTREVISTA COM JOÃO PEDRO STÉDILE

 Excelente entrevista com João Pedro Stédile. CLIQUE AQUI para assistir. 

14 ANOS DA LEI MARIA DA PENHA - COM DRA. MARIA NYSA MOREIRA NANNI




Ocorreu hoje, 07/08/20 CLIQUE AQUI para assistir, em comemoração dos 14 anos da Lei Maria da Penha, importantíssima Live organizada pela Rede de Apoio Mulheres Parnanguaras, com a combatente da causa, Dra. Maria Nysa Moreira Nanni atualmente atuando na condição de Delegada da PCPR em Paranaguá-Pr..

A Dra Maria Nysa é graduada em direito, tem especialização em Direito Ambiental e sempre está debatendo com muita segurança e desenvoltura, questões que envolvam violência contra a mulher, o evento de hoje comprova isso. 

Quem acompanha a trajetória dela, perceberá que ela além de ser uma permanente  estudante de várias áreas, sempre está lutando contra todo tipo de violência e injustiças. É uma guerreira na luta anti fascista numa ação  muito necessária no Brasil atual.   

A Lei Maria da Penha foi um grande avanço, mas eventos iguais a este devem se multiplicar mas se diminuir significativamente a violência contra a mulher. O feminicídio acontece todos os dias, mas Dra. no evento, ressaltou que a mulher muitas vezes tem sua auto estima assassinada, com práticas de inferiorização praticadas pelos homens machistas.    

Por ter trabalhado um bom tempo em Campo Mourão, ela mencionou a  cidade algumas vezes no evento.    

A Rede de Apoio Mulheres Parnanguaras de Paranaguá (cidade sede de um dos campus da nossa Unespar), está de parabéns por mais este evento,  aliás deve servir de exemplo para outras cidades. 

Para o evento de hoje a Rede de Apoio foi feliz,  especialmente pela grande escolha da Dra. Maria Nysa nas respostas aos vários questionamentos  que surgiram.   
  


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

UMA POESIA DE JUSTO PROTESTO - CLEUSA PIOVESAN

O editor do Blog do Maybuk, participou ontem 04-08-20, de um Sarau Literário do Centro de Letras do Paraná, à convite da  escritora mourãoense Prescila Francioli. Ela é membro do referido Centro e na ocasião fez lançamento do seu novo livro que inclusive, fizemos o registro em matéria específica por aqui.

 

Cada evento em que há reunião de pessoas é sempre oportunidade de se conhecer alguém interessante. Isso pode ocorrer numa festa de igreja, numa comunidade da zona rural, em um Assentamento ou Acampamento daqueles e daquelas que lutam pela  reforma agrária, naquele bairro de periferia as vezes desprezado pela elite e até discriminado e em eventos solenes tais como o de um Centro de Letras.

 

Durante   as intervenções poéticas, belas poesias, belos poemas de autoria de membros do Centro e de poetas consagrados nacionalmente e de repente aquela manifestação arrebatadora  da escritora Cleusa Piovesan com a poesia de protesto QUERO ESCOLHAS! DÊ-ME ESCOLAS! Que publicarei no final.

 

A escritora é professora da rede estadual na área de Letras e tem Mestrado pela Unioeste é autora de livros e diversas poesias, contos, etc e os/as internautas podem conhecê-la pelo endereço https://www.literatura-cia-poetizando-a-vida.com/     

 


A seguir a bela poesia.


QUERO ESCOLHAS! DÊ-ME ESCOLAS!


Sou aluno Rico

Tenho poder, sou privilegiado

Estudo em escola particular

Estou sempre bem alimentado

Meu material é de primeira linha

Vou à escola bem arrumado

Quero escolhas! Dê-me escolas!

Não quero ser alienado!


Sou aluno Burguês

Minha condição: afortunado

Meus pais são profissionais liberais

Tenho estilo de vida sossegado

Não sofro bullying, preconceitos

Na minha galera todo mundo é "irado"

Quero escolhas! Dê-me escolas!

Não quero ser alienado!


Sou aluno Pobre

Meu destino está traçado

Receber sempre as migalhas

Dos que são mais abastados

Não tenho roupa de marca

Meus pais são assalariados

Quero escolhas! Dê-me escolas!

Não quero ser alienado!


Sou aluno Favelado

Chamam-me marginalizado

Meus pais estão desempregados

E ter o pão na mesa é complicado

Recebo auxílio do governo

Sou malvisto e desprezado

Quero escolhas! Dê-me escolas!

Não quero ser alienado!


Sou aluno Indígena

Tenho ensino não adequado

Suplantaram minha cultura

Em minhas crenças sou desrespeitado

Tiraram tudo o que era meu

Sou pela sociedade rejeitado

Quero escolhas! Dê-me escolas!

Não quero ser alienado!


Sou aluno Quilombola

Pelo sistema nem sou citado

Agem como se eu não existisse

E fosse um ser sem passado

Mas luto pela minha etnia

Não serei mais escravizado

Quero escolhas! Dê-me escolas!

Não quero ser alienado!


Sou aluno, Branco ou Negro

Mestiço, Mulato, Imigrante, Exilado

Minha raça é a humana

E todo direito tem de ser sagrado

Feito de carne, ossos, sangue

Nenhum azul, só encarnado

Quero escolhas! Dê-me escolas!

Não quero ser alienado!


Sou aluno Cidadão Brasileiro

Meu direito está assegurado

Na Constituição Federal

Documento em que foi lavrado

"Direitos iguais para todos"

Mas nem sempre é respeitado

Quero escolhas! Dê-me escolas!

Não quero ser alienado!

 


terça-feira, 4 de agosto de 2020

UMA MOURÃOENSE NO CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ





O Editor do Blog do Maybuk, teve o privilégio de assistir hoje uma Live do Centro de Letras do Paraná.

Evento lindo, aconteceu um Sarau Literário maravilhoso para aliviar a alma.

Na ocasião também,   a escritora de Campo Mourão-Pr Prescila Francioli membro do referido Centro, fez o lançamento do seu novo livro "O mistério de Gaya" - Você tem vencido seus medos? - Editora Livros Prontos.

Um orgulho para nós mourãoenses, mais essa participação especial da Prescila Francioli  levando o nome da cidade para outros espaços.