O XXII VARAL DE POESIAS da Unespar campus de Campo Mourão, evento
coordenado pela professora Adriana Beloti e com o fundamental Corpo de Jurados:
Cícero Pereira de Souza, Cleverson de Lima, Edcleia Basso Didyk, Fábio
Alexandro Seguxi, Hermínia Camargo Perdoncini, Sinclair Pozza Casemiro e Soraia
Sonsin foi muito emocionante, muito talento dos/as participantes e uma
organização impecável.
A AME – Associação Mourãoense de Escritores participou com parte de seus associados. Cícero
Pereira de Souza (jurado), Dalva Helena de Medeiros assistiu e forneceu as
fotos da publicação, Ester de Abreu Piacentini, Giselta Veiga, Jefferson Nery Correia com poesia premiada, Maria Gois
assistiu, Nivalda Sguissardi assistiu e foi representante oficial da AME no
evento, Sérgio Luiz Maybuk assistiu e levou suas turmas do curso de ciências
econômicas. Estavam presentes também os simpatizantes da Associação Adalberto
Dias de Souza e Gerson Colucci Junior.
A poesia ONDE DORMEM OS DESAPARECIDOS?
De autoria de Jefferson Nery Correia e interpretação da Atriz: Neusa
Caetano da Silva - Aluna do curso de Pedagogia Unespar foi premiada com o 2º
lugar na categoria melhor Composição.
A seguir a poesia na íntegra:
ONDE DORMEM OS DESAPARECIDOS?
Um sapateiro judeu, chamado Samuel,
saiu para trabalhar no centro de Hamburgo,
com seu chapéu fedora preto puído
e um relógio de bolso dourado.
O ano era 1940.
Ele não chegou ao trabalho
e nunca voltou para casa.
O filho não deu um último abraço no querido pai.
Ninguém mais ouviu falar dele.
Sumiu no Holocausto.
Onde ele está dormindo?
Santiago tinha 24 anos.
Estudava Medicina em Buenos Aires.
O ano era 1977.
Era tesoureiro do diretório acadêmico.
Saiu de casa para encontrar a namorada, Paola.
Vestia calça pantalona marrom
e camiseta azul do time argentino.
Foi visto pela última vez na Praça de Maio,
às 22h do dia 1º de agosto.
Ouviram um grito sufocado.
Onde ele está dormindo?
Tatiana, a grã-duquesa da Rússia,
era uma moça linda e altruísta, de 21 anos.
Foi enfermeira na Primeira Guerra Mundial,
de vestido branco e sapatilhas azuis.
Foi a última da família real
a ser vista, ao sair da Casa Ipatiev,
em Ecaterimburgo,
no dia 17 de julho de 1918.
Onde ela está dormindo?
Otávio era um contador de 35 anos,
bisneto de negros escravizados no Brasil.
Casado com Cássia, pai de Helena, de cinco.
Filiado ao PCdoB.
Foi visto pela última vez indo até a padaria
comprar cigarros, numa tarde de sábado,
em setembro de 1969, em São Paulo.
Usava jeans, camisa polo verde,
boné do Corinthians e barba rala.
Ouviram uma freada na rua lateral da sua casa.
Onde ele está dormindo?
Ruslan era um menino loiro, de 8 anos.
Amava jogar bola nas ruas do subúrbio de Kiev.
Saiu de casa, em março de 2022,
para buscar pão na casa da avó,
duas quadras de distância.
Vestia moletom amarelo
e um boné do Barcelona.
Foi visto pela última vez virando a esquina,
perto do quartel do exército.
Todos ouviram o barulho da explosão do míssil.
Onde ele está dormindo?
Layla morava em Rafah, na Faixa de Gaza.
Era mãe de Hasan, de um ano.
Ambos, palestinos.
Ela era voluntária,
cozinhava para os desabrigados.
Em dezembro de 2023,
saiu de casa com um vestido thobe cinza-claro
e um lenço tradicional cobrindo a cabeça.
Foi vista pela última vez indo buscar água
no poço comunitário do bairro.
Ouviram gritos. Rajadas de metralhadora.
Onde ela está dormindo?
Se todos somos iguais…
onde dormem os desaparecidos?






















































