domingo, 26 de julho de 2026

ANÁLISE DO LIVRO “VALE DAS PITANGUEIRAS” DE AUTORIA DA ELENICE KOZIEL




O editor do Blog do Maybuk (criado em 2008), professor Sérgio Luiz Maybuk relata sua análise sobre o livro “Vale das Pintangueiras” de autoria da Elenice Koziel – Ela é Servidora da UTFPR Campus de Campo Mourão. Ela é graduada em Letras e tem Mestrado e Doutorado em estudos literários. E desenvolve projetos na área de leitura literára, com foco no público feminino.

Ela é nascida no ano de 1979 na zona rural, às margens do Rio Palmital, na divisa entre os municípios de Roncador-PR e Pitanga-PR .

A Obra a ser analisada foi publicada por meio do Edital de Seleção de Obras Literárias da Prefeitura de Campo Mourão da Secretaria municipal de Cultura .

Na obra consta GOVERNO MUNICIPAL – JOÃO DOUGLAS FABRÍCIO – PREFEITO MUNICIPAL, FÁTIMA CLARO NUNES – VICE PREFEITA DE CAMPO MOURÃO, JADIR SOARES – PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, ROBERTO CARDOSO – SECRETÁRIO MUNICIPAL DE CULTURA, GISLAINE MONTEIRO FABRETI – DIRETORA GERAL SECRETARIA DE CULTURA, MAURICIO POZZA – DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO CULTURAL e LUCIANA DEMETKE – COORDENAÇÃO DA DIVISÃO DE BIBLIOTECAS.

Capa, Projeto Gráfico e Diagramação – Moai Comunicação com sua equipe: Crislayne Maria Bertholdo Lizotti, Erika Patricia Alves, Thais Martins do Nascimento (Revisão), Tiago Silva (Ilustração de Capa) e Tuana Santos Lima. Apresentação Institucional – Roberto Cardoso e Texto na Orelha do Livro Juliana Gonçalves de Souza.

Em junho de 2026, Eu acompanhei o Engenheiro Agrônomo Frederico Stelatto Farias, na UTFPR com o Diretor Geral Roberto Ribeiro Neli e Diretor de Relações Empresariais e Comunitárias: Rafael Fernando Pequito Lima, para convidar a Instituição no Evento VI FATI.

Na saída da Sala do diretor, a querida Elenice Koziel (minha amiga de Facebook), que trabalha na recepção me disse que queria me presentear com seu livro. Fiquei muito feliz, adoro livros, especialmente de pessoas de nossa região porque estimula outras pessoas a escreverem. Ela escreveu a dedicatória “Junho 2026. Para Maybuk, com carinho, que estas páginas levem ao seu “Vale das Pitangueiras” particular. Abraço.

Pedimos para registrar o momento com a foto que está na presente publicação. Aproveitei para convidar a nova escritora a participar da AME – Associação Mourãoense de Escritores da qual em 2026 sou vice-presidente.

No final de semana, em Roncador-PR (venho a cada 15 dias para ficar com minha mãe que está ótima mas precisa de atenção), aproveitei para ler o livro da Elenice e foi um prazer do início ao fim. Um livro emocionante, denso, muito bem escrito, que leva o/a leitor/a refletir sobre sua própria vida. Todos nós temos uma história, guardamos recordações boas e ruins, temos algum relacionamento pessoal, amororo, familiar, de trabalho que ficou algo não resolvido e se ficaram mágoas pior ainda, porque existe uma frase atribuída a Buda ou Shakespeare “mágoa é o veneno que você toma pensando que a outra pessoa vai morrer”.        

Comecei a ler e fui me identificando com algumas passagens, cada um e cada uma vai se identicar conforme sua visão e vivência. Não vou dar Spoiler do livro e de cara recomendo a todos e todas lerem, é muito bem.

Também sou descente de Polonês por parte de pai. Sou torcedor do Santos, Já tive medo nos últimos tempos de alguém estragar o almoço de domingo ou comemorativo, se o assunto política maquiado com as bençãos de Deus aparecesse. 

Mais soja e menos e menos rio é algo cada dia mais comum. Em alguns locais praticamente monocultura, faço parte da Câmara do Agronegócio do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão e certa vez eu disse: além dessa questão ambiental citada no livro, é muito perigoso uma região inteira ficar muito dependente de uma atividade só , ou seja, soja. Ela pode ser substituída por outro produto. Lembremos da dependência do café no Parana e “geada negra” por coincidência também citada aqui no livro, que destruiu grande parte da economia paranaense.

Adorei a passagem "cair um toró", nem todos sabem que em algumas partes do país é chuva forte rsrs. Minha mãe tem uma expressão só dela. Vai cair um toró. Veja o “Burcão” que imagino ela queira se referir a um”Vulcão” quando o céu fica muito escuro relampeando.

A expressão bonita, gorda, me chamou atenção, porque na minha família, dos mais antigos por parte de pai, ser gordo era sinal de saúde e fartura, pessoa magra parecia que estava passando fome. .

Caixa de lenha citada algumas vezes no livro. Na casa da minha mãe não tem mais fogão a lenha, mas a caixa de lenha continua lá, com outras utilidades. Faz parte da nossa identidade e lembra nossa infância. Para quem não conhece serve também para sentar em cima. Até fiz questão de tirar uma foto e publicar aqui. Vejam as dobradiças, a tampa levanta. 

Virado de feijão sempre comi e gosto, pipoca também gosto mas nunca juntos, novidade. Vou experimentar.

Carpir, apoiar o queixo no cabo da enxada, só quem fez, sabe. Nunca carpi (capinei - outra forma de dizer). Nunca trabalhei na roça, mas conheço muito sobre ela. Minha mãe e meu pai carpiram muito na vida. Eu de vez em quando faço isso cuidando do quintal da casa da mãe.  

Preocupação com a saúde mental e adoecimento de professoras, especialmente considerando a dupla jornada e convivência com marido, filhos. As passagens retratadas no livro são mais comuns do que se possa imaginar.

O momento terrível da pandemia para os professores. Eu sei um pouco sobre o que foi, mas minha relação era com estudantes universitários, outra realidade. Mas para os/as professores da rede sofreram demais e infelizmente alguns políticos canalhas disseram que os/as professores/as não trabalharam na pandemia porque não saíram de casa.

Agroecologia e Agricultura familiar (dessa sou inclusive pesquisador), é tema que estou desenvolvendo sempre, inclusive com um projeto que farei parte do Núcleo de Cooperação Socioambiental de Campo Mourão, apoiado pela Itaipu Binacional.

Solidariedade de vizinhos. Meus pais contavam muito sobre isso na zona rural. Na cidade também acontece felizmente.

Imigrantes.Um tema que esteve sempre na minha família. Aqui no Brasil é triste ver a xenofobia praticada por algumas pessoas. Todos e todas no Brasil são descendentes de imigrantes.

Meu avô tinha um casarão, era moradia, hotel e venda. A palavra venda para os/as mais jovens é armazém, mercado etc.

Problemática da educação. Cobrança permanente em cima dos professores. Problemas da sociedade transferidos para a sala de aula. Quem tiver o prazer de ler livro, entenderá perfeitamente.

Conflitos de casal, com machismo, misoginia, mágoas. “Entendedores, entenderão”.

Finalmente o tema extensão universitária. Sou professor extensionista e já fui Chefe da Divisão de Extensão e Cultura da Unespar campus de Campo Mourão. Minha praia.

Leiam o livro da Elenice. Vocês vão gostar. E olha que estamos esperando para ler o próximo.   Contato Instagram  @kozielelenice

    

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