sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

DISCURSO DA PARANINFA PROFESSORA DRA IRENE MARIA BRZEZINSKI DIANIN

Ontem, 20 de fevereiro de 2020, tive o prazer de participar da solenidade de Formatura  das Turmas 2019 dos Cursos de Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Engenharia de Produção Agroindustrial e Turismo e Meio Ambiente da UNESPAR Campus de Campo Mourão.

A solenidade foi conduzida pelo Diretor do Campus professor doutor João Marcos Borges Avelar e contou com a presença da Chefe de Gabinete da Unespar professora doutora Edineia Fátima Navarro Chilante (representando o reitor professor Antonio Carlos Aleixo) os coordenadores de cursos, o prefeito Tauillo Tezelli, vereador professor Cicero de Souza, o deputado federal Rubens Bueno e representantes dos deputados Ênio Verri (federal) e Douglas Fabrício (estadual).

A Paraninfa dos formandos foi a professora doutora Irene Maria Brzezinski Dianin, minha colega de trabalho de muitos anos a qual aqui faço uma homenagem publicando na íntegra seu discurso, que impressionou à todos e todas pelo formato adequado e de vasto conteúdo.      

Meus queridos Bacharéis:

É para mim uma grande honra receber esta homenagem como Paraninfa nesta solenidade tão marcante para nossas vidas, e principalmente para a vida dos Senhores Bacharéis e de vossas famílias.

Iniciei minhas atividades na UNESPAR de Campo Mourão em 1984, portanto vão-se aí 35 anos de labor nessa instituição de ensino superior pública, gratuita, de qualidade e multi campi. Estamos em Apucarana, Campo Mourão, Curitiba I, Curitiba II, Paranaguá, Paranavaí e União da Vitória. Ainda, como unidade especial, vinculada academicamente à UNESPAR, contamos com a Escola Superior de Segurança Pública da Academia Policial Militar do Guatupê, em Curitiba.

Abrangemos, em média, 150 municípios, alcançando 4,5 milhões de pessoas; somos aproximadamente 1.100 servidores; atendemos mais de 12 mil alunos nos 72 Cursos de Graduação oferecidos; temos 21 Programas de Pós Graduação, sendo 11 Especializações e 10 Mestrados em diversas áreas do conhecimento.

No ranking estadual, somos a terceira Universidade do Estado.

A UNESPAR assim, é referência de qualidade para ensino, pesquisa e extensão em nível superior. É difusora de conhecimento científico nas diferentes áreas do saber.

Seu primeiro Reitor é nosso, trata-se do Professor Antonio Carlos Aleixo, lotado nesta UNESPAR Campus de Campo Mourão.

É a esse universo que os Senhores também pertencem. Ostentem o título de bacharel com honra e galhardia, pois os Senhores são fruto dessa árvore do conhecimento, dessa gigante impar do saber.
Nesse momento peço aos Senhores Bacharéis que se recordem de si mesmos, da emoção quando souberam que passaram no vestibular, do início da trajetória acadêmica.

Quem eram aquelas pessoas? Que sonhos acalentavam os Senhores, recém chegados à Academia? 

Quais suas projeções para o futuro?

Recordam-se?

Sentem-se diferentes hoje?

Claro que sim, e esta solenidade representa a vitória de uma jornada abraçada com fé, coragem, determinação, sacrifício, tenacidade e perseverança.

Esta solenidade marca, não o fim de uma etapa de vida, mas firma o compromisso de que os Senhores seguirão sempre no caminho do conhecimento, a partir de agora distribuindo vosso aprendizado, adquirindo novos, repartindo vosso discernimento com a lucidez e a clareza que somente o conhecimento proporciona.

Os Senhores sabem-se vitoriosos e tornados Bacharéis são privilegiados, devendo agora, de tantos outros modos, disseminar o conhecimento adquirido, jamais esquecendo de honrar, sempre, a Academia da qual partem hoje para novas realizações.

O caminho continua e a jornada não será fácil, aliás a marcha até aqui não foi simples nem despreocupada. Os Senhores e suas famílias sabem o quanto foi difícil chegar até aqui.

Desejo que os Senhores não esqueçam das dificuldades e das alegrias do caminho trilhado, a partir daquele jovem de outrora, iniciante nas ciências do Curso escolhido e até este mesmo jovem que agora me ouve, pleno de conhecimento, completo em seus saberes acadêmicos, instruído, preparado no lapidar dos anos do Curso.

Hoje os Senhores passam de Formandos a Formados, de Acadêmicos a Bacharéis.

Com o passar do tempo a ciência que os Senhores acumulam não será suficiente, pois o conhecimento, quando sentido, degustado, experimentado, vicia, nos faz desejar mais e mais as luzes da ciência, nos faz vislumbrar possibilidades, nos faz abraçar sempre um novo conhecer e assim vossas vidas e as vidas daqueles ao vosso redor, ganharão outras luzes.

Enfim, o acúmulo de conhecimento se transformará em vasta experiência, e nessa hora os Senhores se sentirão plenos com o domínio do aprendizado e com a pratica da ciência aprendida. Eis aí a bagagem que constituirá vossa vivencia

Para esse futuro brilhante que vos espera, vos deixo o ensinamento de Rui Barbosa, em sua Oração aos Moços:
O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas ideias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante a transmutação, por que passam, no espírito que os assimila. Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas.

Saibam Senhores Bacharéis que a ciência adquirida na Academia, somente pode chamar-se conhecimento, quando repartida, quando multiplicada, quando distribuída.

Conhecer por conhecer não é importante: o que importa é compartilhar o conhecimento.

A Academia, ao titulá-los Bacharéis, avaliza vossa futura conduta profissional. Certifica-os de que estão academicamente preparados. Pensem nisso com alegria mas também com o peso da responsabilidade que ora lhes é outorgada.

Meus colegas Bacharéis, sigam em frente, transmutem o conhecimento, adquiram mais, repartam mais, desempenhem seus papéis, experimentem o que a vida lhes reserva.

E que Deus vos continue abençoando. Obrigada.

A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO E A FATURA QUE VAI CHEGAR

A PRECARI

Hoje conversando com meu cabelereiro/barbeiro do qual sou cliente há mais de 20 anos , tive uma pequena aula da realidade econômica de sua categoria de trabalho.

Começamos a dialogar sobre a brutal paradeira econômica aqui da cidade e de outros lugares.

Disse a ele que vi a reportagem de que aumentou o número de vendedores ambulantes no Rio de Janeiro, por causa do desemprego brutal e ao mesmo tempo diminuiu quem compra deles. A decepção estava no pré-carnaval, porque os foliões estão levando bebida de casa em caixas de isopor nas costas porque sai mais barato.

Ele me falou do aumento de gente aqui na cidade, nas ruas vendendo algum tipo de comida para sobreviver.

Falei para ele sobre os trabalhadores de Uber. A viagem mínima custa 6 reais. Entre a parte do aplicativo e os demais custos, dificilmente fica livre para o motorista 3 reais. Quem tem carrro sabe o custo do referido bem, principalmente agora com o combustível nas alturas e o presidente ainda confiando na política de preços do Guedes.

Só para registro, a mesma viagem mínima de taxi  dependendo do horário , fica em torno de 10 ou 12 reais e salvo engano, mesmo com esse valor não acredito que um taxista tenha enriquecido com a profissão. Com a entrada do Uber, diminuiu drasticamente as corridas para os taxistas e assim
 as duas categorias têm seu trabalho precarizado e em nenhuma delas há proteção social, estão total mente desamparados.

Meio constrangido eu perguntei a ele se a crise atingiu sua categoria. Ele disse que perdeu 30% da clientela, em função de que muitas pessoas desempregadas, para sobreviverem, fizeram cursos de cabeleireiros e estão atendendo nos bairros a preços quase de graça.

Enquanto ele cobra 20 reais o corte, tem gente cobrando 12 ou 10. Precarização pura.

Ele me disse que dos 20 reais, entre a comissão do salão para o dono e mais os produtos que usa que fica por sua conta, sobram 10 reais. Quando consegue cortar dez cabelos por dia fica feliz e leva 100 para casa. E completou: e os dias que não tem cliente?

Eu ainda falei que ele tem que  torcer para não ficar doente. Ele disse que raramente vai a uma lanchonete por fica  quase impossível, sai muito caro com a família. Uma praia ou uma viagem, impossível. E lembrando que se ninguém vai às lanchonetes, é mais desemprego surgindo.

Ultimamente estou analisando os tipos de precarização no trabalho, especialmente depois das criminosas reformas trabalhista  e previdenciária e o tal trabalho intermitente.

 Fiquei pensando no sujeito precarizado que no bairro está cortando o cabelo a 12 (o mais abastado). Se o custo total do trabalho for 50%, ele receberá 6 reais por corte. Se ele tiver a felicidade de cortar 10 por dia vezes 25 dias, será um "empreendedor" ganhando em torno de 1 salário mínimo e meio, sem nenhuma proteção social, sem direito a férias e estará impedido de ficar doente.

E esses carinhas ainda estão precariamente trabalhando, mas e  os outros milhões de desempregados?

Meus amigos e minhas amigas, nessa batida, não adianta fazer arminha com as mãos, não adianta tentar jogar a culpa em quem saiu do governo há quase quatro anos, porque quando a fome bate a fatura aparece e alguém tem que pagar.  Lamento e fico muito triste mas não vai demorar.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

COOPERATIVA DO LIVRO EM CAMPO MOURÃO-PR















Em Campo Mourão numa parceria com estudantes da Unespar Campus de Campo Mourão e o Sindicato dos Bancários de Campo Mourão e região, há um projeto encantador chamado "Cooperativa do Livro", coordenação conjunta da professora de história Nair Sutil, o estudante da Unespar Joab Jacometti e a bancária Nivalda Sguissardi.

A comunidade pode doar seus livros para o projeto.

A comunidade pode emprestar livros sem prazo para devolução.

Há um local fixo numa Sala do Sindicato dos Bancários e há uma ação maravilhosa que é a biblioteca itinerante. Há publicações do projeto no Instagram "cooperativadolivro". Em determinados domingos ela se desloca. 

Já esteve nos bairros, já esteve no Parque do Lago e no último Domingo de manhã esteve  na Praça Central de Campo Mourão-Pr. 

Cada pessoa que se aproxima é recepcionada por alguém e acaba recebendo todas as informações sobre o projeto.

Eu testemunhei a reação das pessoas no último domingo e publico aqui algumas fotos. Livros encantam, atraem as crianças e os adultos. 

Colaboradores aparecem todos os domingos e é um ambiente muito agradável.

O projeto só que cresce.

Enquanto em determinado local, no topo do poder atual, se desmanchou metade de um biblioteca para abrigar um local para alguém da família. Por aqui se leva livros para todos os cantos. 

É uma questão de interesse. Alguns costumam ler bastante e têm veneração pelo livro, outros não têm capacidade de ler uma linha e  infelizmente têm aversão por ele.

É uma questão de escolha saber o lado melhor da trincheira.  

  

ENCONTRO DA AME - FEVEREIRO DE 2020













O  Blog do Maybuk desde que seu editor associou-se à Associação Mourãoense dos Escritores - AME, publica todas as reuniões da associação, que é aberta ao público e todos estão convidados a participar. 

No texto a seguir há um relato de praticamente tudo o que aconteceu no encontro do último sábado. Eu acrescentaria apenas, que também houve leitura de poesias alegres lidas pelas associadas e escritoras Silvania e Silvia. E uma triste mas de importante memória, lida pela associada Doroth Carneiro.

Eu considerei um gesto lindo ela pedir permissão para ler uma poesia escrita pelo primo Walter Calabresi em homenagem ao Tio falecido (conhecido dos mourãoenses) Deocleciano Domingues Carneiro.

Lágrimas
Muitas lágrimas
derramei pela sua partida e muitas mais
ainda derramarei, mas muitas ainda virão,
essas não de tristeza, 
e sim, 
pela sua vida, 
pela sua alegria,
pela sua energia, sim, 
certamente derramarei.



TEXTO E FOTOS DA ASSOCIADA DALVA HELENA DE MEDEIROS



A primeira reunião do ano de 2020 da AME, aconteceu neste sábado, dia 15-02, com a participação da maioria dos seus associados.

 A Presidenta Silvania Carvalho coordenou os trabalhos fazendo informes e planejando conjuntamente as atividades para o ano que se inicia. 

Convidou a todos a participarem da nova coletânea de poesias e prosas e orientou os presentes a prepararem seus textos para publicação. 

Manifestaram-se ainda, primeiro, Dalva Helena de Medeiros, informando sobre o lançamento da reedição do livro Síntese Existencial de Constantino Medeiros e solicitou a parceria da AME, a qual foi aceita por todos os presentes.

Posteriormente manifestou-se, Prescila Francioli, divulgando seu novo livro, destinado ao público infantil o qual foi contemplado pela lei de Incentivo à Cultura e deverá ter seu lançamento até junho. 

A presidenta Silvania também anunciou que lançará novo livro de poesias no mês de março.

Nivalda Sguissardi, divulgou o Projeto Cooperativa do Livro, o qual estará presente na Feira Criativa no domingo, 16-02, o projeto objetiva o incentivo à leitura e circulação gratuita de livros. 

Definiu-se ainda, em conjunto, a criação de um novo projeto de livro para AME, de fotos e poesias com a temática Campo Mourão.

Silvania apresentou um vidro no qual os associados poderão registrar fatos relevantes em uma tira de papel e guardar no recipiente até o final do ano, para leitura no dia da confraternização anual, de modo que não se percam informações importantes. 

O fato mais significativo da reunião foi o lançamento do livro: Histórias da América do Sul Pré-histórica de autoria do associado Otmar Soares. 

Após mais algumas manifestações, houve a tradicional confraternização com comes e bebes e boa conversa.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

A CENSURA EM RONDÔNIA E A SAUDADE DOS POLÍTICOS DE 1989

Estamos vivendo um momento de censura no país desde que o Bolsonaro assumiu o governo, foram várias ações covardes de perseguições contra artistas, intelectuais, pesquisadores, jornalistas. Isso infelizmente foi fazendo escola e tivemos nessa semana a ação de alguém do governo de Rondônia, com mesmo pensamento do governador coronel Marcos Rocha do PSL, de retirar livros de bibliotecas de alguns dos maiores escritores do Brasil, porque tinham “expressões inadequadas para crianças” e depois da repercussão negativa até da Academia Brasileira de Letras voltaram atrás.

Provavelmente que teve essa ideia de asno, não é capaz de produzir uma página de um escrito qualquer. Não tenho a menor dúvida, de que o estrago que está sendo feito às crianças e a geração futura com as ações do governo federal e de gente do mesmo naipe que pensa igual a ele, em alguns governos estaduais tipo esse de Rondônia, serão infinitamente maiores do que uma ou outra expressão “inadequada” que um certo Machado de Assis possa ter escrito.

Analisando o momento sombrio em que estamos vivendo no Brasil, resolvi assistir os memoráveis debates da eleição presidencial de 1989 que estão disponíveis no youtube. Me veio uma saudade danada daquele período em que estávamos nos livrando da horrorosa e criminosa ditadura militar.

Naquela época tínhamos candidatos de direita e esquerda concorrendo,  mas nenhum deles era tão medíocre intectualmente e politicamente, como o que temos hoje na presidência da república e em alguns cargos de Ministérios e de alguns governos estaduais e seus comandados , tipo esse de Rondônia.

Naquele debate, percebia-se conteúdo, capacidade de raciocínio, ironias, bom humor, nada do que se vê atualmente em falas no estilo robô e  carregadas de ódio e preconceitos mil.

É preciso fazer um registro na capacidade da jovem jornalista Marília Gabriela intermediando todas aquelas “feras” no primeiro debate presidencial no pós-ditatura criminosa.

Naquele debate, por coincidência também o eleito foi fujão e covarde (Fernando Collor) que não quis participar no primeiro turno, depois diminuiu a covardia e contou com a ajuda da Globo naquela edição vergonhosa e conseguiu se eleger e não terminou o mandato. 

Aqui no Brasil a tal facada e a tal cirurgia,  foi motivo da não participação de debates do candidato eleito , mas não impediu o mesmo de falar asneiras em eventos públicos e também nas inacreditáveis transmissões pela internet, que inacreditavelmente tem gente com estômago para assistir. Resultado, suas intenções não foram confrontadas à tempo cara a cara e hoje o Brasil paga muito caro por isso.

Naqueles debates tinha gente bem articulada na fala, mas que no futuro não lograram êxito politicamente tipo Guilherme Afif Domingos, Aureliano Chaves, Afonso Camargo Netto (paranaense) e Roberto Freire que começou na extrema esquerda pelo PCB e foi “endireitando e endireitando”, perdeu a essência e hoje é um homem público medíocre.  

Quanto a Paulo Maluf e Ronaldo Caiado, me embrulha o estômago suas posições políticas e ideológicas, mas é inegável a capacidade dos mesmos na oratória. O primeiro está em prisão domiciliar atualmente e sumiu do processo e o segundo ainda tem seus seguidores e é governador de Goiás.

Saudades mesmo, tenho do Mário Covas, homem público decente e elogiado até pelos opositores e do grande Leonel Brizola (meu primeiro voto para presidente da república), no segundo turno votei no Lula e de lá para cá sempre nele até o mesmo ser impedido de concorrer. 

O Brizola foi um dos maiores estadistas do país, acabou com o analfabetismo no Rio Grande do Sul quando governador  e conseguiu a façanha de se eleger governador em outro Estado, o Rio de Janeiro, com características totalmente diferentes do primeiro. Suas corajosas intervenções contra a globo eram memoráveis e aquele seu direito de resposta ganho, lido em rede nacional na voz maravilhosa do Cid Moreira, contra seu próprio patrão, foi memorável.

Sobre essa impensável conquista de direito de resposta, segundo o saudoso Paulo Henrique Amorim (que faz muita falta), no seu livro, o Quarto Poder, o bom e velho Brizola teria dito numa grande gargalhada “acertamos um tiro no cú do mosquito”. Em tempo de pessoas “puritanas” (ao menos no público porque no privado ...) publicar uma frase dessas é meio arriscada, mas penso que não sei condenado ao fogo do inferno por isso, rsrs.

Sobre o Collor fez aquele governo horroroso, sofreu o impeachment e por incrível que parece foi substituído por um político decente, o saudoso Itamar Franco. Mais tarde quando recuperou os direitos políticos se elegeu Senador e continua até hoje, mas sem nenhuma expressão nacional.

O outro era um jovem torneiro mecânico de apenas 44 anos, deputado federal na época. Luiz Inácio Lula da Silva. Disputou mais três eleições e se elegeu presidente da república, se reelegeu, terminou o mandato com 87% de aprovação, ganhou vários títulos de doutor honoris causa de várias universidades do Brasil e de outros países e em breve vai receber mais um prêmio pela prefeitura de Paris. Depois teve uma condenação sem provas, esta aí o Intercept para  mostrar o servicinho do Dallagnol e o ex-heroi nacional Moro.

Ficou preso mais de um ano, como estratégia do Moro (ganhou um Ministério por isso), para que não pudesse disputar a eleição presidencial. Saiu da cadeia mais forte do nunca, esbelto, sorridente, namorando, dando entrevistas em tudo quanto é canto e na semana que vem, se não derrubarem o avião, vai ser recebido pelo Papa Francisco.  

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE CUBA







































ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE CUBA
Penso que para falar sobre Cuba com propriedade, são necessárias quatro atitudes. Sendo “despir-se” do pensamento capitalista que não permite enxergar outras formas de se viver em sociedade; condenar sem pestanejar o embargo econômico do gigantesco EUA contra uma pequena ilha; respeitar a soberania de um país com 11 milhões de habitantes e finalmente visitar Cuba. Sem as quatro atitudes, só haverá paixão de prós e contras.

Visitei o país durante uma semana neste janeiro de 2020 acompanhado de pessoas maravilhosas e de muito companheirismo, Alessandra Silva, Amauri Ceolim, Leonice Cazarim, Nivalda Sguissardi e Rosefran Gonçales Cibotto, que ficarão na minha memória em um momento tão significativo para mim.

Certamente as considerações deles e delas serão diferentes das minhas em grande parte, exceto pelo encantamento com o belo país e seu povo acolhedor e tão apaixonado pelo nosso Brasil.
Vai ficar também na minha memória o motorista de um Van que contratamos para alguns locais,  o Luis que apelidamos de Ogrito. Extremamente simpático, atencioso, brincalhão e que carregava no dedo um anel bonito. Quando perguntei o que representava, me disse que ele era membro da maçonaria Imaginem a minha surpresa, pois aqui no Brasil normalmente somente quem tem muitas posses ou é um profissional liberal muito respeitado pode fazer parte.  Ele é casado com uma argentina e tem um filhinho.

Quem só viveu sob o regime capitalista como nós brasileiros, muitas vezes não consegue nem imaginar viver num regime socialista. Mas é preciso ter um pouco de humildade, para perceber que também temos nossos problemas e o pior deles é habitar num dos países mais desiguais do mundo com concentração de renda e riqueza brutais, e parte significativa de pessoas vivendo em condições de pobreza e parte em miséria absoluta , exceto para os insensíveis e egoístas, não podemos atestar que isso seja motivo de orgulho para nós.

O embargo econômico contra Cuba foi condenado por 187 países na ONU no final de 2019. Somente EUA, Israel e para nossa vergonha, o Brasil votaram para sua manutenção. Não é preciso escrever muito sobre isso, exceto afirmar que com esse crime, tudo fica mais caro e dificultoso para Cuba em qualquer negociação internacional. Por questões ideológicas o governo dos EUA que pressiona outros governos vassalos tenta massacrar um povo que pensa diferente.  
 
É preciso respeitar a soberania de um povo que apesar de viver numa ditadura, ter  muitas restrições, totaliza 11 milhões de habitantes e que na população há uma expectativa de vida de quase 80 anos, para os desinformados  de plantão, em 2016 Cuba era 79,74 anos e no querido Brasil 75,71, baixíssima mortalidade infantil, um alto índice de desenvolvimento humano – IDH e analfabetismo zero. E que tem avanços interessantes na área da saúde e biotecnologia, vendendo vacinas para mais de 30 países e rendendo muitas divisas nas exportações, sem contar a extraordinária experiência com a exportação de saúde ao formar e disponibilizar médicos e médicas para vários países obtendo divisas ou tão somente socorrendo nos momentos de terremotos  e furacões.  

E finalmente é preciso visitar o país, conversar, ver, sentir.

Da parte ruim, que pude testemunhar, há salários muito baixos para funcionários públicos (aqui talvez o governo pudesse melhorar) e quase todo cubano acaba sendo guia turístico e com simpatia mostra os locais em troca de gorjeta. Há escassez de alimentos com racionamento e isso é culpa do embargo. Nesse aspecto o governo está tentando viabilizar o aumento de produção interna de alimentos. Há restrição de pessoas de Havana para a região de praias de Varadero, embora acredito, seja estratégia para incrementar o turismo que é a maior fonte de divisas do país. Não testemunhei censura, mas se tiver, os brasileiros e brasileiras também enfrentam em parte por aqui desde 2019.

Da parte boa:

Saúde e educação de qualidade e gratuitas.

Segurança elogiada pela população. Fiquei 4 dias em Havana, andei de carro, de ônibus e também a pé, inclusive em horários depois da meia noite, em vários locais e não percebi uma ação suspeita, não há brigas nas ruas, totalmente seguro. Eu e companheiros e companheiras andávamos tranquilos, apenas preocupados com o trânsito meio desorganizado, (por aqui o trânsito é um “espetáculo).  Inclusive, segundo um policial que abordei, não há presídio na capital, há detentos em outras localidades, nesse quesito talvez não se proceda.

Utilizei internet (ainda muito cara e de difícil acesso porque nem todos os espaços recebem o sinal)  e acessei sites aqui do Brasil que não são favoráveis ao modelo de Cuba.  

Assisti a um filme cubano, numa sala de cinema para mil e trezentas pessoas.

Assisti uma peça de humor numa das diversas salas de Teatro de Havana e apesar da incompreensão da língua em algumas partes, pelo talento dos atores e na simples observação da expressão corporal, ao menos da minha parte, dei muita risada e  em vários momentos percebi que  há críticas em alguns aspectos do regime. Isso é salutar pois humoristas existem para isso mesmo. Embora em determinado país da América do Sul atualmente, humoristas são censurados por criticar o governo.   

Assisti alguns espetáculos de dança e várias apresentações musicais de vários estilos. Havana tem música e arte na alma. Testemunhamos a habilidade de um artista reproduzindo telas com fotos de um celular com maestria. Aliás, ao contrário do que eu imaginava, praticamente todos os jovens que vimos têm celular e a população em geral também.

Há os famosos carros antigos e o que para alguns seja motivo de atraso, para mim é nostalgia pura. É impossível não desejar andar neles e tirar fotos. Penso que mal comparando, quando os carros antigos de Cuba deixarem de existir é a mesma simbologia do possível desaparecimento da família real da coroa britânica. Para os consumistas desesperados, por lá também tem carros novos, belas vans e tem motocicletas novas também.  
  
Não vi moradores de rua e fui abordado apenas duas vezes por pedintes. Sou capaz de apostar que Havana com 2 milhões de habitantes tem menos pedintes e moradores de rua que minha querida Campo Mourão com aproximadamente 100 mil pessoas. Isso me faz lembrar a famosa frase do presidente Fidel Castro naquele discurso memorável na ONU “hoje milhões de crianças dormirão na rua, nenhuma delas é cubana. Continua atual.  

Há moradias bonitas e há moradias deterioradas pelo tempo, mas não há uma mansão. Um bom sinal. Ao menos nas partes em que visitamos de ônibus na Havana nova e na velha. Para os desesperados acalmem-se, há propriedades privadas por lá, vimos várias plaquinhas de “se vende”, assim que eles escrevem. Perguntei para um vendedor fabricante de bolsas, quadros e outros artigos de artesanato, numa pequena porta na avenida à beira mar quanto ele pagava de aluguel. Era um dos prédios meio deteriorados com dois cômodos ele disse que havia comprado do governo. Nos fundos produzia junto com seu primo e na frente vendia. Trabalhando com dignidade e alegrando os turistas.

Também nas imperdíveis vielas apertadas de prédios mais antigos, pessoas com o pequeno comércio na frente e residindo na parte dos fundos. Sobrevivendo e alegrando os turistas. A quantidade de restaurantes nas ruas apertadas é incrível e meus amigos que já visitaram a Europa disseram que pareciam estar numa rua da Itália, por exemplo.

Me fez lembrar agora, da fala de um vocalista de uma banda em que fomos assistir música e apresentação de dança num prédio luxuoso de 25 andares, por 10 CUCs (moeda local para turistas quase equivalente ao dólar) a entrada. No show no último andar a cobertura se abre e se vê as estrelas, muito interessante. Ele com um orgulho danado dizia “no nosso país aprendemos a passar a vida improvisando”. Para quem é insensível isso é sinal de dificuldade, para quem tem sensibilidade isso é sinal de resistência e amor à sua terra.

Há cooperativas de trabalhadores e vendedores, há placas de reformas de prédios com a seguinte expressão: OBRA EM EJECUCIÓN – Proyecto de desarrollo local:Economias creativas e placas do tipo: “AREA DE VENTA PARA TRABALHADORES POR CUENTA PROPIA”.

Não há latifúndio na zona rural. Para mim, uma maravilha. Poucas coisas são tão injustas que os grandes latifúndios de terras. 
            
Há belíssimos monumentos e atrações com destaque para o Capitólio que foi restaurado e é de tirar o folêgo.  Muitos prédios estão sendo restaurados com recursos de parceria de outros países especialmente porque Havana completou 500 anos em 2019.

Há cooperação de outros países que não se abaixam para os EUA e preocupam-se com o bem estar de um povo. Vimos um caminhão coletor de lixo moderno e na lataria estaria escrito: já traduzido “Colaboração do povo japonês”.     

O nível educacional dos atendentes dos hotéis é muito bom e se comunicam em várias línguas estrangeiras, especialmente o inglês. Até na “rota do  tabaco” em que conhecemos e visitamos uma propriedade que cultiva o tabaco, um dos membros da família falava fluentemente o inglês. Ele fez um charuto ali na frente de todos e nos convidou a participar daquele momento simbólico, fumar um charuto em que se passa mel na parte que vai à boca para se misturar ao gosto do tabaco. Segundo ele era a forma que Fidel fumava. Certamente nas outras diversas propriedades havia alguém com inglês fluente para se comunicar com os turistas.   
  
As praias são paradisíacas e a vegetação belíssima nas estradas e nos parques. 

Na zona rural em que visitamos, quase 100% das moradias são pintadas com cores muito vivas. Um detalhe que chamou a atenção foi ver a tração animal com dois bois arando a terra. Na hora eu achei aquilo um atraso, depois fui ler no jornal um pronunciamento do Presidente Miguel Diaz Canel Bermúdez e lá e ressaltava a importância do uso da tração animal para evitar utilização de combustíveis que devem ser usados para situações mais necessárias. Na escassez os pontos de vista são diferentes.

O sindicalismo é forte e inclusive apoiado pelo governo. Tivemos a oportunidade de conversarmos por um longo momento com um representante do Sindicato dos professores universitários da Universidade de Havana. Por lá, embora haja somente um partido político, diferente da infinidade que existe por aqui e que grande parte dos políticos troca como se troca de camisa, o debate lá intenso. Segundo o sindicalista a cada dois anos se faz um congresso e discute os avanços e se planeja as melhorias.

Conversei com um professor universitário (está numa das fotos)  diretor do curso de história da Universidade de Havana e ele informou que Turismo, Tabaco, Rum, Café e Açúcar geram muitas divisas mas a biotecnologia com a produção de vacinas será em breve a segunda fonte de divisas do país. Por curiosidade fui pesquisar e eles vendem vacinas para mais de 30 países, tem mais de 600 patentes na área de vacinas, proteínas recombinantes, anticórpios monoclonais, equipamento médico com software especial e sistemas de diagnósticos.  E pasmem, encontrei até uma publicação no UOL de 2018 em que uma parceria entre Cuba e EUA criam a primeira empresa mista de biotecnologia para produzir medicamentos e terapias contra o câncer.

Há hotéis para todos os gostos e bolsos, inclusive vários belíssimos.

A educação formal é obrigatória até o nono ano. O percentual de pessoas com ensino superior é alto.

A liberdade religiosa existe, igrejas católicas, evangélicas e as religiões afro estão por lá. 

A pessoa mais venerada por lá é um argentino chamado Ernesto Che Guevara. Em todos os cantos tem uma foto dele. E frases dele por todo lado.  

Conhecer Cuba era um sonho desde o meu período de graduação em economia lá pelos anos 1990 e já naquela época eu ouvia falar do jornal Granma. No último dia por lá, andando numa belíssima e limpa praça cheia vendedores, lembrei de comprar um jornal para recordação e comecei a perguntar para uns senhores sentados e não me fazia entender, até que eu disse notícias do dia e um senhor elegante, fumando um charuto, abriu a pasta e me entregou o jornal do dia. ÓRGANO OFICIAL DEL COMITÊ CENTRAL DEL PARTIDO COMUNISTA DE CUBA -  Enero de 2020, año 62 de la Revolución – No. 21 – Año 56 – Cierre 12:00 A.M. Edición Única – La Habana. Eu quis é pagar e ele me disse “é um mimo”. Achei de uma grande delicadeza e disse que no Brasil muita gente gosta de Cuba. 

Segundo vários depoimentos, Cuba esteve num momento muito bom com o apoio da antiga URSS, depois quase entrou em colapso, depois melhorou, está em dificuldade mas está melhorando  e o turismo é a maior aposta. Quem sabe eu volte por lá daqui uns cinco anos para conferir se houve mudanças, mas aí é só quizás, quizás, quizás ...