quarta-feira, 16 de maio de 2012

TRISTE E MENOR, RONCADOR SE DESPEDE DE IZIDORO PURETZ


Ontem, 15 de maio de 2012 por volta das 23 horas,  recebi uma ligação de minha mãe e antes de atender já imaginei que boa coisa não era. De fato eu tinha razão, fiquei sabendo que o Sr. Izidoro Puretz havia falecido naquele dia.

Eu não tenho condições de ir a velórios em Roncador-Pr  no meio de semana sempre que alguém muito conhecido se vai, mas no caso de quem se tratava era uma obrigação, não porque era ele tinha sido ex-prefeito da cidade, mas pela forte ligação que eu tenho com a referida família. Prova disso, que trabalhei com garra com apenas 14 anos de idade, na eleição vitoriosa para prefeito  na chapa: Augusto Becher e Izidoro Puretz na década de 80.

A dona Inês esposa do seu Izidoro é amiga de infância da minha mãe, que por acaso do destino tem o mesmo nome e as duas foram vizinhas de sítio na comunidade de Água Doce . Eu sou amigo de infância e estudei do primeiro ano primário até o ensino médio com o seu filho Ilizeu e que anos mais tarde me deu a honra de chamar-me para batizar seu filho Vinicius.

Passei toda a minha infância na cidade de Roncador-Pr e uma infinidade de domingos seguidos, durante o período da tarde eu estava lá casa do seu Izidoro por causa da amizade com seus filhos, especialmente o Ilizeu. Quando comecei a trabalhar, por um longo tempo, aos sábados e no período de férias, eu passava horas e horas no Posto Paraná, conversando sobre tudo com o Sr Isidoro, o Ilizeu, a dona Inês e também com o Irineu com quem eu também gostava de conversar.

Todas as vezes que eu voltava do Posto Paraná (mais conhecido como Posto do Izidoro) chegava em casa mais alegre, de tanto rir, pois a família toda era boa de piada e de imitações etc e tal e o grande mestre era o seu Izidoro, sempre sorrindo com aquela voz grossa. Às vezes eu ficava pensando, e quando o seu Izidoro se aposentar? Quando ele chegar aos seus 70 anos e não querer saber mais do Posto o que seria daquele estabelecimento? Mas quem disse que o seu Izidoro iria se aposentar, vivo,  ele não quis.

O seu Izidoro tinha a palavra trabalho cicatrizada na testa. Era trabalho, honestidade, trabalho novamente, luta, defesa do bem comum, integridade, tudo isso aliado ao bom humor que estava sempre com ele. Hoje de manhã o Ilizeu me disse que admirava o bom humor do pai, porque talvez não tivesse motivo para isso no começo da vida, pois perdeu sua mãe quando tinha os primeiros anos.

O tempo foi passando e como tudo que nasce sadio vai aos poucos enfraquecendo e o seu Izidoro, aos 83 anos ficou muito acamado e passou quase um mês na UTI em Campo Mourão. Certo dia, estou passando em frente à Central Hospitalar e encontro o Ilizeu por lá. Como sempre, depois de meses sem vê-lo sou recebido com aquele sorriso, por que com amigo é assim e minutos depois passamos quase uma hora conversando e ele me disse que tudo tem um fim e com certa naturalidade estava se preparando para o pior porque dificilmente seu pai iria sobreviver. Ledo engano, o seu Izidoro, doido pela vida e pelo trabalho, levantou novamente e começou tudo de novo, desde cedo à noite no Posto de gasolina, ou no sítio, na Igreja, nas festas, nos velórios, em todo canto lá estava aquele homem.

Dois anos depois, já com 85 anos, em janeiro, segundo relatado pelo Ilizeu hoje de manhã, reuniu a família e como todo homem prudente e que pensa no futuro, informou a todos a divisão dos bens entre os filhos, conforme achava que seria o correto.

A minha última vez com ele foi numa segunda-feira se não me engano mês passado, em que fomos abastecer o carro lá. O encontrei com caneta na mão fazendo uns cálculos e gerenciando o Posto.

Como um bom trabalhador e um participante  na sociedade, no último sábado foi até sítio e vacinou gado, e no domingo aos 85 anos foi dirigindo o Toyota até uma festa de igreja, numa comunidade, assistiu missa e voltou. Depois se sentiu enfraquecido foi trazido até Campo Mourão e sem dar trabalho a família, deixou o mundo e foi se encontrar com o grande amigo e ex prefeito Pedro Gluchak lá no céu.

Hoje de manhã, era choro de todo mundo na Câmara Municipal de Roncador que na galeria de fotos, tem o seu Izidoro quatro vezes, quando foi Presidente da Câmara. Estavam lá os filhos Irio, Irineu, Rafael, Ilizeu e Ilizete e a Dona Inês, todos muito emocionados, serenos, mas muito tristes porque sabem que a dor é grande e a saudade jamais acabará, mas todos eles tem certeza do patrimônio moral e ético construído pelo seu Izidoro Puretz, que foi um grande comerciante, um agricultor, um vereador, um  prefeito, depois vice-prefeito e ainda teve o privilégio de ver seu filho seguir o legado político e também tornar-se prefeito de Roncador-Pr.

Roncador fica triste e menor, mas lá no céu as coisas com certeza estão bem diferentes e a alegria e o júbilo estão contagiantes.               
    

2 comentários:

  1. Bom, é tão difícil nestas horas tristes tentar dar uma palavra de conforto à família...mas, vamos lá.
    Sergio, acho que Roncador fica triste, mas maior. Maior por ter tido alguém que viveu, morou, teve família, filhos e netos e se foi de uma forma tão especial quanto o nosso amigo Izidoro. Quantas cidades tiveram uma pessoa tão querida, amada e respeitada quanto ele?? Acho que Roncador e região podem se orgulhar disto. Dizem que os diamantes só surgem em locais específicos e raros. Então, o ser humano Izidoro Puretz era um diamante raro.
    O corpo se vai, mas ficam as lembranças e a herança material, os filhos, netos, amigos e boas recordações.
    Aprendemos com as perdas ditas "imperdíveis", mas também sabemos que nada é eterno. Morrem as árvores, os rios, as montanhas, o planeta Terra, o Sol e também o Universo. O que é eterno é o Grande Pai Celestial, o Grande Arquiteto do Universo.
    Não perdemos o Sr. Izidoro. Ganhamos com ele. Sua amizade contagiante, seu sorriso sincero, suas brincadeiras, seu otimismo e até aqueles conselhos de pai para filho.
    Quando eu disse à família que aquele momento era um presente e um agradecimento a Deus, quis dizer do orgulho de filhos e netos poderem se despedir de tão especial pessoa. Acho que se ele estivesse vivo, sentiria uma dor insuportável se tivesse de se despedir de um ente querido. A ordem natural das coisas se fez cumprir. O velho dá lugar ao novo, um corpo se vai mas um espírito se eleva. Ficamos na tristeza e saudade, mas outros estarão felizes por se reunirem com um amigo (que o digam o Sr. Pedro Gluchak, Silvestre Kuchla e tantos outros).
    Até imagino o diálogo: - Compadre, que bom que estamos juntos novamente...
    Tomara que o mundo possa sempre contar pessoas como ele. O chato é na hora que tiverem de nos deixar, mas como disse, nada é eterno.
    Lembrei de um filme: - 4 casamentos e um funeral. Os amigos se reúnem em casamentos ou funerais. Até nisto o Izidoro Puretz caprichou. Reuniu um grande número de amigos, compadres e família.
    Sr. Izidoro, descanse em paz...

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  2. carlos augusto garcia17 de maio de 2012 13:41

    Realmente, amigo Maybuk, e com essas palavras que podemos traduzir a trajetoria do grande homem, chamado Izidoro, que deixa o lega de fé, honestidade, respeito e esperança de trilhar roncador no caminho do bem, mantendo sempre sua familia como alicerce na busca incansavel da pratica do bem, parabens sergio pela mensagem, e o ceu está alegre pela chegada do grande homem, Izidoro Puretz.
    Carlos Augusto garcia - Assessor Juridico Municipal

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