terça-feira, 12 de agosto de 2008

CONVERSAS COTIDIANAS SOBRE ECONOMIA Nº 02

Em continuidade às reproduções de conversas sobre economia que tenho participado, escrevo matéria sobre uma produtiva conversa ocorrida ontem (11/08) iniciada na cozinha da FECILCAM e concluída no departamento de economia. Estávamos em três professores que além de sermos colegas de trabalho, atualmente temos uma grande afinidade porque também fazemos mestrado juntos. O detalhe importante desses três professores está na diversidade de idade, posição ideológica e na experiência profissional.

O Mário Filizzola tem 31 anos, é um economista de direita e além do magistério, trabalhou muito em projetos arquitetônicos (veio de família de arquitetos) e atualmente também trabalha na mesa financeira da maior cooperativa agrícola da América Latina – COAMO, é um dos maiores estudiosos que eu conheço e foi meu aluno.

Eu, Sérgio L. Maybuk, tenho 40 anos, sou um economista de esquerda e além do magistério, trabalhei 7 anos na COAMO, e trabalho com pesquisas econômicas e projetos de geração de emprego e renda.

O Paulo R. S. Borges, tem 55 anos (espírito de 20) me parece ser um economista de centro, e tem muito o que ensinar, além do magistério, trabalhou 18 anos na COAMO, trabalha esporadicamente, em projetos de planos diretores dos municípios e atua como consultor e palestrante de economia e o mais importante foi professor meu e do Mário.

O interessante da nossa conversa foi que embora tenhamos linhas ideológicas diferentes, percebemos que estamos muito otimistas sobre o momento extraordinário em que o Brasil vive economicamente e que sem dúvida deverá ser uma das maiores potências econômicas no futuro.

O Mário como um bom monetarista considera que o governo federal acertou e têm conduzido de maneira correta a política monetária e que o Banco Central com sua política de elevar os juros , embora impopular,foi fundamental para o controle da inflação e defende ainda que o processo de crescimento econômico e melhor distribuição de renda que o Brasil está produzindo é fruto da estabilidade monetária. E que cabe ao Ministério da Fazenda distribuir recursos para melhorar mais a educação e a qualificação das pessoas e não tem dúvida que haverá o crescimento econômico sustentável.

O Paulo por sua vez elogiou a sensibilidade do Presidente LULA que é considerado por muitos como analfabeto, mas que soube ser firme na política monetária, e hoje o presidente é respeitado em todos os países que visita. Disse também, que outro dia leu uma pesquisa da UOL em que mais de 70% do público desejava que o governo tivesse outros instrumentos de combate à inflação e não somente o da elevação da taxa de juros. Destacou também, que leu matéria indicando que o Brasil além da estabilidade monetária e o crescimento econômico atual, tem um futuro promissor com relação ao petróleo, pois com as novas descobertas o Brasil terá brevemente produção igual ou maior que a Venezuela. E para finalizar afirmou que dentre as medidas acertadas do Governo federal, acredita que no momento em que o PAC for consolidado o Brasil resolverá vários problemas de infra-estrutura que constituem-se em gargalos que atrapalham um crescimento econômico maior.

De minha parte, afirmei que o Brasil é muito melhor que a China, pois esse crescimento que ela está tendo agora, nós já tivemos nos últimos 50 anos. O nosso país cresce de forma sustentada e não há como voltar atrás, considerando o petróleo, a produção de alimentos, a nossa grande população consumidora que agora é muito maior em virtude do aumento real do salário mínimo, do aumento do pequeno crédito e dos programas sociais principalmente o bolsa família que no seu efeito multiplicador, acaba fazendo com que haja mais postos de trabalho. Temos aqui democracia e liberdade de imprensa, temos a preocupação com o meio ambiente e estamos inaugurando uma fase interessante.

No passado, (década de 70) na época dos militares, crescemos muito, mas não tínhamos democracia; depois (décadas de 80 e 90) quando nos livramos do período mais triste da história em termos de repressão quando alcançamos a democracia, não conseguimos crescer. E hoje finalmente, temos democracia (qualquer “Zé Mané” preconceituoso, por ignorância, falta do que fazer, ou por inveja pode fazer piadas sobre o Presidente da República e não sofre qualquer tipo de punição) e ao mesmo tempo observamos que temos crescimento econômico sustentável, mesmo que a Jornalista Mirian Leitão insistentemente faça força para dizer o contrário.

Estou muito orgulhoso do departamento de economia da FECILCAM, principalmente depois do Mestrado que estamos fazendo, pois este está propiciando conversas e debates de alto nível. Vamos ver quem será destaque na matéria: conversas cotidianas sobre economia nº 03.

Um comentário:

  1. Ivonete de Almeida Souza12 de agosto de 2008 06:33

    Prezado Sérgio,
    Quando você compara a China com o Brasil no que diz respeito ao crescimento econômico dizendo que ela vem passando o que nós já passamos há 50 anos atrás eu gostaria de fazer uma colocação e se possível ouvir seu comentário a respeito: A China é um país milenar, portanto com condição, em todos os aspectos, diferente do nosso País, isso não a coloca em situação privilegiada?

    Abraço
    Ivonete

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